Extra-campo


Enquadrar uma cena, circunscrever um espaço ou parte dele, consiste em deixar algo de fora. Nesse trabalho, investigo também aquilo que não se da a ver numa dada história quando contada. Uma forma de pensar as narrativas hegemônicas, institucionais, como norteadoras de discursos que se repetem: há algo que está dentro, há algo que fica de fora (do discurso, do museu, da História). O que está fora é aqui pensado também no sentido metafórico para repensar as histórias que são contadas pelos museus (históricos e tradicionais). Aquilo que não é mostrado, e importa tanto quanto o que está em cena.

Extra-campo, também empresta o termo do cinema uma vez que o trabalho nasce de um gesto de deslocamento no tempo, um movimento que enquadra e reenquadra a mesma cena, reforçando suas contradições. Há um deslocamento, mas há sobretudo um frame, um fragmento de tempo congelado entre dois movimentos em um olhar que enxerga o passado com os olhos do presente.

O lugar em questão, permanece o Museu, espaço onde grande parte dos meus trabalhos se desenvolvem. As salas fotografadas consistem em salas expositivas em museus históricos que exibem mobiliários, peças e objetos que pertenceram a aristocracias e são apresentados de forma exuberante e artificial, espaços recriados de maneira cenográfica para serem contemplados, nos colocando diante de uma cena da qual não fazemos parte.

 

Título: Extracampo

Ano: 2020

Dimensões: díptico 60 x 180cm
60 x 90cm (cada)

Fotografia: impressão fine art com pigmento mineral sobre papel 100% algodão