Era preciso o corpo olhar para fora


Por Gisele Bento Fernandes

* Texto curatorial realizado para a exposição individual “Era Preciso o Corpo Olhar para Fora” no Escritório de Arte Fasam, Belo Horizonte-MG.

 

Era preciso o corpo olhar para fora

“Meu olhar é corpo”
Isis Gasparini

 

Fotografia e dança. Linguagens da arte que parecem trilhar caminhos distintos.

Uma é da ordem do olhar, a outra, da ordem do corpo.

Uma é representação estática, a outra, movimento constante.

No entanto, para Isis Gasparini, com formação e atuação em dança e fotografia, olhar e movimento são indissociáveis. A artista consegue juntar essas formas de expressão, aparentemente tão contrapostas, fazendo delas o fôlego de sua trajetória e a essência de toda sua obra, resultando em uma poética singular.

Deslocar o corpo e mudar o percurso do olhar: a partir dessa prerrogativa é que se apresenta essa exposição. Questionando a relação do espectador em espaços expositivos e os percursos condicionados nesses lugares condutores do olhar, a artista subverte a lógica do fluxo do deslocamento do corpo e da visão no espaço do museu, e leva nosso olhar para arquitetura, paisagem, entorno e luz; nos conduz a ter outras percepções, ativando o lugar da não-obra, tirando assim o protagonismo das obras de arte que sacramente habitam esses espaços. Olhar o que não é o objetivo maior de ser visto.

O ponto focal passa a ser o corpo que olha a obra e há nessa relação, nas palavras de Georges Didi-Huberman*, “não o que vemos, mas o que nos olha”, um olhar que é devolvido, uma reciprocidade que acontece nesse lugar de outras percepções, resultantes de um movimento. Por isso, para olhar além do que é visto, era preciso o corpo olhar para fora.